Artigo: Por Alexandre Sampaio

Convite à união de setores: vamos sair da crise?

“O impacto que os feriados próximos a finais de semana em 2017 provocarão na economia brasileira deve ser avaliado sob mais de uma ótica – afinal, o Brasil é um país plural, de vocações econômicas variadas e complementares.

A importância das atividades da cadeia tuAlexandre Sampaio na Argentinarística para o País é inegável: o setor gera um a cada 11 empregos brasileiros, movimentando cerca de 3,5% do PIB – ou R$ 182 bilhões (dados de 2015). Para 2017, considerando a expectativa de aumento no ingresso de visitantes estrangeiros e o aumento de 5% no fluxo de turistas domésticos, o impacto econômico do turismo deverá representar um aumento de R$ 10 bilhões para a economia nacional.

Estimativas do Ministério do Turismo mostram uma movimentação de aproximadamente R$ 20 bilhões em feriados, excetuando-se Carnaval, Natal e Réveillon.

A atividade é estratégica para o Brasil não somente por ser a principal vocação do País, mas sobretudo porque precisamos sair o quanto antes deste cenário de crise econômica. Não faz sentido suscitar polêmicas sobre setores que, na realidade, são complementares. O turismo é um grande impulsionador de outras áreas, impactando direta e indiretamente 52 setores – entre eles, o comércio. Se os feriados geram impactos sobre o varejo em algumas cidades, em outras tantas localidades, de Norte a Sul do País, o setor terciário é impulsionado pela movimentação turística.

E é preciso saber lidar com realidades diferentes, de forma que as economias possam se desenvolver – em outras palavras, não podemos tratar diferentes como iguais. Não se pode comparar as vocações econômicas de municípios como São Paulo e Fernando de Noronha, Manaus e Porto Alegre, visto que cada qual tem atividades econômicas diferentes e uma importância distinta para a composição do PIB brasileiro.

É razoável que os profissionais diretamente interessados, trabalhadores e empregadores, decidam entre manter as lojas fechadas ou abertas e que negociem diretamente as condições trabalhistas do funcionamento nas datas festivas. Assim, estaremos permitindo que os trabalhadores possam incrementar, nos períodos de alta demanda turística, os comissionamentos recebidos pelas vendas, complementando seus salários, e que as empresas não sejam obrigadas a arcar com encargos trabalhistas ainda mais pesados, sobretudo neste período grave de crise. Como ganho, teremos economias locais aquecidas, emprego crescente e renda em alta – não é esta a receita para o crescimento que o Brasil tanto anseia?

E esta é a grande razão pela qual a FBHA defende veementemente a liberdade da negociação sindical, principalmente em um país de dimensões tão grandes e realidades tão diferentes: em cada local, empregados e empregadores devem poder fazer escolhas que beneficiem os dois lados de igual maneira. Esta é a ferramenta mais justa de que dispomos para garantir crescimento continuado e sustentável para o Brasil como um todo. Em essência, é a materialização daquele discurso tão usado de Norte a Sul, segundo o qual fortalecer a economia levará à reversão da escalada do desemprego, à geração de renda e à volta do crescimento e desenvolvimento do Brasil.

O momento do País é propício para a união de forças em prol de um bem maior, que é o desenvolvimento da atividade produtiva, do empreendedorismo, para que possamos fortalecer a economia e gerar mais emprego e renda para os brasileiros.

Alexandre Sampaio: é empresário e presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) é do Conselho Empresarial de Hospitalidade e Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)”.

e-mail:marlonpablo@basedenoticias.com.br

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