Artur Moreira: o resiliente designer brasileiro que ajuda as pessoas pelo mundo

 

Por Pablo Marlon

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Foto: Em Mariana (MG);Ao fundo: Boneco POP.

Artur Moreira, mineiro de Governador Valadares, desde os quinze anos, decidiu andar o mundo. Sua primeira experiência profissional aconteceu quando um circo passou pelo município de Nova Era, cidade em que morava. Artur viu no circo uma oportunidade para conhecer outros lugares e com ele partiu. Durante dois anos, percorreu diversas cidades do país. Logo, escolheu o Rio de Janeiro como sua parada. Mas, não ficando por muito tempo. Como tinha um sonho de morar fora, seu lado forasteiro o fez chegar a capital Inglesa. Lá, trabalhou limpando escritórios e no verão, colhia morangos para vender. Já nos Estados Unidos, literalmente colocou a mão na massa, arregaçou as mangas na área da construção. Ainda na terra do Tio Sam, com muito esforço, acabou se transformando em design artístico bastante requisitado.

O Designer brasileiro ajuda pessoas ao redor do mundo, vitimas de catástrofes naturais. Seu lado resiliente e samaritano diz ser inato e comprova fazendo. Em uma das suas ações humanitárias, arrecadou junto com a ONG The Apple of God’s Eyes do Nepal, 11 mil dólares para ajudar as vítimas do terremoto em Catmandu. Conseguiu até agora fazer 56 novas casas. A ideia é chegar a cem moradias até o final do ano. Na América, mas precisamente Newark, colabora em outra ONG. A extensão de sua generosidade chegou a Mariana – Minas Gerais- Brasil, a Nova Era, local onde foi criado e ao Nepal, onde pretende voltar em breve. Então… vamos conferir a história desse brasileiro solidário.

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Foto: Artur Moreira na oficina

Entrevista: Artur Moreira

Base de Notícias – Você se considera um cidadão do mundo?

Artur Moreira – Sim. Desde criança fui um desbravador. Adoro conhecer culturas diferentes e ver de que forma é possível ajudar. Invisto 20 % da minha renda em projetos sociais. Gosto de transformar o sonho das pessoas em realidade. Tenho 39 anos e acredito que com pouco é possível fazer muito. Se cada um fizer a sua parte, o mundo ficará bem melhor.

Base de Notícias – Você parece ser autodidata, não? Ou aprimorou seu talento como designer em alguma escola especializada?

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Foto: Um dos seus trabalhos como Designer

Artur Moreira – Sou autodidata e muito curioso. Quando trabalhei em um circo, aprendi a fazer carrinhos, motos e cavalinhos de fibra de vidro e consertava brinquedos. Daí pra frente, não parei mais. Estou sempre prestando atenção nas novidades. Tenho energia de sobra! E como designer, a cada dia, vou aprimorando a minha técnica. Outra característica forte é a criatividade. Quando vejo um móvel, já penso em um design ousado. E assim, vou colocando em prática. O legal é que grande parte das peças tem exclusividade, já que faço da criação até a finalização. O público gosta de trabalhos originais. Eu também.

 Base de Notícias – A partir de quando que você se tornou um cidadão com espírito resiliente?

Artur Moreira – Acredito que já nasci com esse espírito. Tá no sangue….

Base de Notícias – As experiências vividas lá fora (outros países) nos torna, cidadãos mais conscientes e capazes do que podemos ser e fazer, uma vez que brasileiro não costuma gostar de certos trabalhos aqui, mas lá fora se faz de quase tudo para viver… Isso nos torna pessoas melhores?

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Foto: No distrito de Bento Rodrigues (Mariana) local da catástrofe gerada pelo rompimento das barragens de Fundão e Santarém.

Artur Moreira – Acho que não. Somo todos iguais com vontades e objetivos diferentes. Morar nos Estados Unidos era um sonho pra mim. E consegui concretizar, desenvolvendo o meu talento e vivo bem, fazendo o que gosto. Além disso, também aproveito pra investir nas pessoas, não importa a origem, quero fazer o bem.

 Base de Notícias – Na sua cidade natal você fez uma ação que na realidade é de responsabilidade do poder público… você tem interesse em algum cargo politico futuramente, ou é somente seu lado altruísta?

Artur Moreira – Não tenho nenhuma ambição política, tenho mente e espirito livre.

Base de Notícias – Você sempre gostou de trabalhar e conhecer lugares, sempre teve esse lado aventureiro. Artur, você se considera um cara do mundo?

Artur Moreira – A maior riqueza que podemos ter é o conhecimento geral e o mundo é um livro aberto para aqueles que gostam de explorar. Eu sou um cara do mundo, sem dúvida.

 Base de Notícias – Você já sentiu medo de nada dar certo?

Artur Moreira – Depende do que você tá falando… rsrsrsrsrsrsrsrsrs. No começo é sempre um pouco mais difícil, mas quando você é determinado e foca no seu objetivo, nem dá tempo de ter medo. O negócio é lutar, usar a criatividade que sempre acaba dando certo. Quando morei em Londres, bem no início de tudo, cheguei a trabalhar fazendo limpeza de escritórios e para complementar a renda, me vestia de palhaço pra vender língua de sogra nas ruas. Durante o verão Europeu, ia para a Escócia colher morangos para revender depois. Sempre me virei. Foi nos Estados Unidos que comecei a colocar a mão na massa e entrei na área de construção. E com muito trabalho e esforço acabei me transformando em design artístico.

 Base de Notícias – Você conta histórias através das suas peças, que histórias são essas?

Artur Moreira – Minhas peças contam histórias por si só. O artista cria, dá vida a elas. É algo que acontece. Vêm à tona minhas experiências e o resultado aparece na obra, mas não é nada específico.

Base de Notícias – Você faz peças únicas, e algo único é caro, quem são seus clientes nos EUA?

Artur Moreira – Procuro ser simples e objetivo naquilo que me pedem. Não existem regras para a criação. Acabam sendo especiais, porque amo o meu trabalho e isso aparece no resultado final. É como quando você cozinha para a sua namorada (aliás, adoro gastronomia). Se você é dedicado, tem cuidado com o que está preparando, coloca o melhor sentimento do mundo naquela receita, os melhores temperos e ingredientes, não tem como dar errado. Com relação aos meus clientes, cada um é de um jeito. Tenho sempre como foco atender a necessidade deles, de um jeito criativo.

 Base de Notícias – Em Newark, você atua na área social, conte mais desse trabalho?

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Foto: Em Catmandu (Nepal), ajudando na construção de novas casas.

Artur Moreira – Não somente em Newark. Quando acontece alguma tragédia ou alguma causa que eu acredito, começo as campanhas entre amigos. Costumo arrecadar dinheiro, com rifas de produtos que faço como, por exemplo, os brasões de times de futebol. Esta coleção tem um nome: “Times do meu Coração”. Em Mariana, Minas Gerais, consegui ajudar levando água mineral pra cidade e claro, com a minha solidariedade. No Nepal, me juntei a uma ONG brasileira e estamos construindo casas para as vítimas do terremoto. Cinquenta e quatro já estão prontas. Acredito que até o fim do ano, serão cem casas no total.

Base de Notícias – Você costuma dizer que “patrocina” o sonho das pessoas, de que forma?

Artur Moreira – Eu acredito que o que a gente planta, acaba colhendo, mais cedo ou mais tarde. Muita gente tem medo de correr atrás do sonho e às vezes, não consegue dividir com o outro o que realmente gostaria de fazer. Eu incentivo todo mundo a sonhar, porque para o sonho se tornar realidade, depende exclusivamente de nós. Mostro que não é necessário ter muito pra alcançar as coisas. O negócio é correr atrás. Quando falo em patrocínio, dentro das minhas possibilidades, ajudo a população a ter mais qualidade de vida. Foi o que aconteceu em Nova Era, município do interior de Minas, local que os meus pais moram e onde fui criado. Comprei diversas câmeras de segurança, pintei a passarela e a escadaria de uma praça no bairro Colina, além de plantar árvores e colocar a grama com cercas. Virou área de lazer para os moradores. E criei um concurso nas escolas de lá com o objetivo de eleger a melhor foto e a melhor frase para eternizar na praça. Isso me faz muito feliz. Estou conseguindo incentivar  e mudar para melhor a vida dessas pessoas.

Base de Notícias – Nos lugares onde ocorreram catarses naturais ou provocadas pelo homem (Mariana), qual foi o local que você mais ficou chocado quando chegou?

Artur Moreira – Claro que quando você chega ao Nepal, depois daquele terremoto com tudo destruído e vendo pessoas sofrendo, parte o coração de qualquer um. Porém, não precisa ir muito longe. No Brasil, a gente se choca todos os dias com a situação da população nas ruas, com a quantidade de mendigos, com a falta de condições mínimas de saúde…..Não dá pra dizer o que é mais chocante.

Base Notícias – O boneco que você produziu representa algo muito significativo, o quê?

Artur Moreira- O boneco sou Eu. É a minha história. Sou o amiguinho pop. Vamos ajudar aos outros? É só seguir o meu instagram e facebook que juntos, podemos transformar o planeta em um lugar melhor pra todos. Bora?

pablomarlon@basedenoticias.com.br

 

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