Câmara não autorize processo contra Temer e ministros

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Nesta quarta-feira (18), a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), Câmara dos Deputados reinterou por 39 votos contra 26, o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), para quem a denúncia não tem prova do crime de obstrução de Justiça e interpreta mal o crime de organização criminosa. O mesmo denominou como “criminalização da política” a denúncia, porque fatos cotidianos de negociações entre partidos e a nomeação de ministros foram indicados como prova de atos ilícitos.

Debate

A base aliada ao governo ocupou menos tempo, e apenas 13 deputados usaram a palavra para defender o presidente e os ministros. Do outro lado, foram 48 deputados, que se revezaram por 19 horas de debates na CCJ, em dois dias, até a votação final. O vice-líder do PMDB deputado Carlos Marun (MS) defendeu o voto com o relator, dizendo que não há provas, mas apenas a palavra de delatores contra a dos acusados. “Nós estamos vivendo agora os capítulos finais de um teatro do absurdo, com a tentativa do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot de depor o presidente 

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

da República, por ter nomeado um desafeto seu para o cargo”, disse.

Em resposta, o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) argumentou que a denúncia tem fundamento, e não é o Ministério Público que está sob suspeita, e sim o governo Temer. “Precisamos ver o que está na denúncia, porque há provas de vários atos, não apenas relativos à primeira denúncia, como se falou, mas com relação a novos crimes”, disse.

Para o deputado José Mentor (SP), que é vice-líder do PT, tratar delações premiadas como testemunhas não pode ser o entendimento da Justiça, e uma denúncia apenas baseada em delações seria muito ruim. Ele criticou a parte da denúncia em que a PGR alega ter existido uma organização criminosa já no governo Lula, mas concordou com partes da denúncia em que 

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Temer e os ministros são acusados. “Não estamos aqui diante de um caso em que algum delator alega crimes, aqui são ações de pessoas, operações controladas, com dinheiro sendo trocado, fotos, vídeos e gravações. É uma situação diferente de uma mera delação sem provas”, disse.

Na próxima quarta-feira (25), terá votação aberta no plenário da Câmara dos Deputados, mas tudo parece caminhar para o mesmo desfecho da primeira denúncia, ou seja, será arquivada pelo plenário.

Fonte:http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/

marlonpablo@basedenoticias.com.br

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